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Coluna Palestrina: o Palmeiras precisa sobreviver a Leila Pereira e a qualquer presidente


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Coluna Palestrina: o Palmeiras precisa sobreviver a Leila Pereira e a qualquer presidente

Uma declaração de Paulo Vinicius Coelho, o PVC, chamou minha atenção. Ao comentar a possibilidade de Leila Pereira deixar o Palmeiras e se aproximar do projeto envolvendo o Vasco, o jornalista afirmou que quem deveria se preocupar com esse movimento seria o próprio clube alviverde, não o Flamengo.

A justificativa é que Leila poderia levar ao Vasco parte da estrutura profissional montada durante sua administração, incluindo pessoas importantes no trabalho das categorias de base.

A observação provoca uma pergunta necessária: o Palmeiras precisa realmente temer o dia em que Leila Pereira deixar a presidência?

Minha resposta é: precisa se preparar para esse momento, mas jamais depender da permanência dela.

Palmeiras
Foto: Edilson Santos

Reconhecer os méritos não significa aceitar dependência

É inegável que Leila Pereira possui méritos em sua passagem pelo Palmeiras. Durante sua gestão, o clube manteve investimentos elevados, conquistou títulos, fortaleceu o elenco e deu continuidade a uma estrutura profissional construída ao longo dos últimos anos.

O trabalho realizado nas categorias de base também se tornou uma das maiores forças do Palmeiras. A Academia passou a revelar jogadores importantes para a equipe principal e a gerar receitas expressivas por meio de negociações com o futebol internacional.

É natural, portanto, que uma eventual saída da presidente cause dúvidas sobre a continuidade do projeto. Também é possível que profissionais de confiança recebam convites para acompanhá-la em outro desafio.

Mas existe uma diferença enorme entre reconhecer a importância de uma gestão e admitir que toda a estrutura do clube pertence a uma única pessoa.

A estrutura precisa pertencer ao Palmeiras

Leila Pereira não pode “levar” o Palmeiras com ela. A Academia de Futebol, o centro de formação, os contratos, a marca, os investimentos realizados e o conhecimento acumulado pertencem ao clube.

Profissionais podem sair. Diretores podem receber propostas. Funcionários importantes podem escolher outros caminhos. Isso acontece em qualquer instituição e não está limitado a uma eventual mudança na presidência.

O verdadeiro patrimônio do Palmeiras precisa estar nos processos estabelecidos, na capacidade de identificar profissionais competentes e na existência de um planejamento que não desapareça quando uma pessoa deixa o cargo.

Se a saída de um presidente for suficiente para desmontar toda a estrutura esportiva, administrativa e financeira, o problema não estará na pessoa que saiu. Estará na fragilidade institucional deixada para trás.

Nenhum clube pode depender de uma única pessoa

Não gosto da ideia de um clube depender de alguém, independentemente de quem seja. O Palmeiras existia antes de Leila Pereira e continuará existindo depois dela.

O mesmo pensamento deve valer para qualquer presidente, treinador, diretor ou patrocinador. Pessoas podem ser importantes e até decisivas em determinados períodos, mas nenhuma delas pode se tornar maior do que a instituição.

O Palmeiras já viveu outros ciclos administrativos. Paulo Nobre teve papel fundamental na reorganização financeira. Maurício Galiotte deu continuidade ao processo e conquistou títulos importantes. Leila manteve o clube competitivo e ampliou investimentos.

Cada um contribuiu à sua maneira. Nenhum deles, porém, é proprietário do Palmeiras.

Alternância de poder faz bem ao clube

A troca de comando é saudável para a democracia de uma associação. Novas gestões trazem ideias diferentes, corrigem vícios, revisam prioridades e impedem que a administração se transforme em um projeto pessoal.

Isso não significa defender a saída antecipada de Leila ou ignorar os resultados de sua presidência. Significa apenas entender que a continuidade de um bom trabalho não deve exigir a permanência indefinida de quem o iniciou.

Uma administração realmente vitoriosa não é aquela que torna seu líder insubstituível. É aquela que deixa o clube preparado para continuar forte quando ele for embora.

A perpetuação de uma pessoa ou de um mesmo grupo no poder pode criar dependência, reduzir a fiscalização interna e enfraquecer o surgimento de novas lideranças. Mesmo uma gestão eficiente precisa conviver com oposição, cobrança e possibilidade real de alternância.

O planejamento da sucessão precisa começar antes da saída

A preocupação levantada por PVC tem valor justamente porque obriga o Palmeiras a olhar para o futuro.

O clube precisa identificar quais áreas estão excessivamente vinculadas a pessoas específicas, registrar seus processos internos, preparar substitutos e proteger projetos estratégicos. Isso vale especialmente para as categorias de base, o departamento de futebol, a análise de mercado e a gestão financeira.

Se existem profissionais indispensáveis, o Palmeiras deve valorizá-los e criar condições para sua permanência. Ao mesmo tempo, precisa formar novas lideranças para não ser surpreendido por eventuais saídas.

Planejamento de sucessão não representa desconfiança na atual presidente. Representa responsabilidade institucional.

O Palmeiras deve temer a dependência, não a mudança

A possível ida de Leila Pereira para outro projeto pode fortalecer um concorrente. Se profissionais importantes também deixarem o Palmeiras, o impacto certamente será sentido.

Mas o maior motivo de preocupação não deveria ser o destino da atual presidente. O ponto central é saber se o clube construiu uma estrutura capaz de continuar funcionando sem ela.

O Palmeiras não precisa ter medo de trocar de presidente. Precisa ter medo de descobrir que, depois de tantos anos de estabilidade e conquistas, ainda depende de uma única pessoa para permanecer competitivo.

Leila Pereira merece ter seus méritos reconhecidos. Também merece, quando chegar o momento, ser avaliada pelo legado institucional que deixará.

Porque presidentes passam. Diretores passam. Jogadores e treinadores passam.

O Palmeiras fica.


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